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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A fuga da dor como fuga da vida

por María del Prado Esteban

“Viver é lutar e a luta sempre é dolorosa.” Félix Martí Ibañez 


O uso de antidepressivos disparou em toda Europa, praticamente dobrou no último decênio. No Estado espanhol o consumo destes fármacos aumentou em 38%, porém o de hipnóticos e sedativos o fez em 66% e esse crescimento é, além disso, exponencial.

A utilização de psicotrópicos é especialmente aterradora entre as mulheres, ao menos 25% da população feminina toma algum narcótico para aliviar a dor de viver.

Não há dúvida de que a vida se tornou cada vez mais insuportável para um número crescente de pessoas e principalmente de mulheres. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Ministério de Sanidade e Consumo (Espanha), a depressão feminina passou de 6, 58% para 20, 49% entre 2003 e 2006. Isto quer dizer que o número de enfermas psíquicas [1] triplicou em apenas três anos, anos que foram, ademais, os das grandes campanhas institucionais a favor da mulher e da criação do primeiro Ministério da Igualdade.

O certo é que emerge uma nova personalidade débil, mole, egocentrada de forma narcisista, incoerente e minguada, cujas emoções não sustentam suas funções superiores, mas as anulam; que essa personalidade é muito mais comum entre o sexo feminino e que este sujeito, assim constituído, é um potencial viciado em substâncias psicoativas, sejam estas legais ou ilegais.

A verdade é, também, que tal indivíduo está sendo criado pela intervenção dos funcionários do Estado do bem-estar que incorporam cada vez mais pessoas ao seu protocolo de medicalização, convencendo assim seus pacientes que a vida não vale a pena ser vivida e que tudo o que podemos fazer é anestesiar o corpo [2] e a alma para não sofrer, não pensar e não sentir.

Enquanto as substâncias químicas nos envenenam o corpo, apareceu um novo mercado de narcóticos espirituais dirigidos de forma especial à população feminina, uma indústria que proporciona numerosos benefícios aos vendedores da cura milagrosa e da felicidade ao pé da letra. Cursos, oficinas e encontros que prometem uma beatífica apatia como paradigma da alegria e do otimismo. Estas drogas, tão nocivas como as primeiras, nos oferecem uma saída escapista da realidade e permitem que nossa vida autêntica siga se degradando enquanto fechamos os olhos e destruímos nosso mundo interior para converter-nos em autômatos sorridentes e apalermados, cegos frente ao horror da realidade circundante e à nossa própria condição.

Há uma grande tragédia na incapacidade moderna para a aceitação da dor, uma tragédia autêntica, porque esta fuga do mal-estar, paradoxalmente, aumenta até o infinito o padecimento pessoal e social. Renunciar ao sofrimento significa renunciar a muitas coisas fundamentais que dão sentido à vida. Significa:

1. A renúncia à consciência do mundo, da verdade e do real. O esforço para aproximar-se da verdade das coisas é amargo porque implica um trabalho árduo, ás vezes sobrehumano para superar as barreiras descomunais que o sistema impõe. A vitória sobre a mentira e o erro não é fácil nem cômoda, é dura e sofrida, nos condena a viver com consciência de nossas limitações e, muitas vezes, em meio a incertezas e dúvidas. Por outro lado, a defesa da verdade requer uma enorme dose de coragem e desprezo pela tranquilidade e pelo próprio bem-estar. Hoje, na sociedade da mentira obrigatória, os que lutam pela verdade estão condenados ao ostracismo, perseguição, opróbrio e humilhações sem limites. Quem quiser, pois, alcançar a realidade do mundo e tomar consciência da verdade das coisas, terá que aceitar a dor que isso traz.

2. Quem teme o sofrimento tem de renunciar ao amor. Todas as categorias de amor – o amor sexual, o amor maternal, o amor fraterno, o amor social, a amizade e o amor por convivência, todas – produzem em algum momento a angústia pela incompreensão, o medo da separação e do abandono, o sentimento de vulnerabilidade e dependência. Os vínculos e compromissos amorosos implicam esforço e sacríficio e a abnegação do interesse próprio. Se o amor é uma das experiências humanas mais sublimes e extraordinárias, não está isenta quase nunca, como tudo o que é sublime, do lado trágico. Nas condições atuais de destruição quase total das estruturas de vinculação e compromisso humano, a luta para reconstruir a convivência nos campos social e pessoal terá mais momentos dolorosos do que prazerosos.

3. Quem não está capacitado para o sofrimento não pode alcançar o conhecimento de si mesmo nem auto-construir-se como pessoa, porque todos somos seres divididos e o olhar dirigido ao nosso interior, se é valente e sincero, é doloroso. Quem não estiver disposto a aceitar a realidade de si mesmo por medo da angústia de ver seu lado obscuro, não pode desenvolver em si nem virtude nem excelência alguma, pois todo desenvolvimento implica negação, vazio e privação, e, portanto, desconforto. O medo da dor está nos convertendo em seres-nada esvaziados dos traços humanos de consciência, virtude, vontade e entrega.

4. Quem não está disposto ao sacrifício não pode resistir ao mal que avança inexorável em toda a sociedade, vê-se impelido a colaborar com ele ativa ou passivamente. Não pode, por isso, contribuir para a investida do bem, do justo, do belo e do sublime em todos os âmbitos da vida porque qualquer projeto de regeneração do humano implica em se expor a ser perseguido e intimidado em um tempo no qual o mal é forte e poderoso. Isso significa que quem não se sacrifica pelo bem do mundo está obrigado a viver dentro da iniquidade e a sofrê-la.

5. Tudo aquilo que é grande, transcendente, significativo, que tem projeção histórica, o que é valioso e excelente, é conflitivo e arriscado. Quem se acovarda perante a dor está condenado a viver no mesquinho e no insignificante, no cotidiano e banal, a entregar sua vida a atos inconsequentes e sem valor. Tudo o que é criativo, estético, belo e sublime exige um quinhão de padecimentos, a Arte com maiúscula desaparecerá de nossas vidas sufocada pelo bem-estar e, por conseguinte, estaremos obrigados a viver entre a fealdade e a aberração.

Sermos capazes de sofrer, mantermo-nos indiferentes diante da aritmética do prazer e do desprazer, é condição para a vida autêntica, para a liberdade e para a virtude pessoal. Esta capacidade hoje está desaparecendo da sociedade, mas de forma particular está sendo anulada entre as mulheres que somos conduzidas à uma deriva de estúpida harmonia interior que não é senão letargia e fraqueza diante do esforço de viver e de ser livres. Superar a dor da existência à base de drogas é o mesmo que renunciar à vida. Aqueles que nos vendem uma felicidade infalível e uma emancipação adulterada, sem luta, sem medo, sem suor e sem sangue, nos vendem uma mercadoria podre, simplesmente isso não existe.

***

[1] Pode entender-se este processo como um crescimento intenso do mal-estar objetivo e real das mulheres ou também como uma manobra das instituições de saúde para medicalizar e narcotizar as mulheres em massa com o pretexto de ajudá-las e protegê-las. Em minha opinião ambos os fatores se complementam e se potenciam um ao outro. 

[2] Nos EUA a morte de mulheres por abuso de analgésicos foi classificada por alguns especialistas como epidemia, a cada dia morrem 18 mulheres norte-americanas por essa causa e se considera que um a cada 10 suicídios tem relação com esse tipo de abuso.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Livros Infantis e a Agenda Feminista

Por Svetlana Smetanina


A pedido do Comité Parlamentar Europeu para os Direitos das Mulheres, os jardins infantis e as escolas podem passar a proibir livros e contos de fadas que caracterizam a família tradicional uma vez que, segundo o comité, os contos de fada têm que falar na "diversidade sexual". Peritos noruegueses acreditam que assistir pornografia pode ser bom para as crianças.

O Comité Parlamentar Europeu para os Direitos das Mulheres e Igualdade de Género preparou um relatório que apela à proibição de todos os livros escolares e livros de infantário que caracterizam a família tradicional onde o pai é o provedor e a mãe é a responsável pelas crianças. Segundo os autores do relatório, estes livros são maus para o futuro das crianças, especialmente para as meninas, e promovem padrões comportamentais inadequados. Futuramente, diz o relatório, estes livros podem impedi-las de construir uma carreira profissional.


As feministas revelaram preocupação com o facto das crianças estarem a ser confrontadas com "estereótipos de género negativos" desde a mais tenra idade  através da televisão e dos spots publicitários. (A palavra "negativos" presente no relatório é sinónima com "traditional".) Embora por enquanto se tenha decidido começar pelas escolas, segundo este mesmo relatório, a proibição poderá ser alargada para a televisão e para a publicidade.


Os autores do relatório recomendam medidas legislativas urgentes na área da literatura infantil, sugerindo em particular a introdução de uma política de "igualdade em todos os sectores." Um exemplo da literatura infantil alternativa é o livro com o nome "King and King", cuja capa tem a imagem de dois homens envolvidos num beijo. Segundo o relatório, isto ajudará as crianças a aprender mais sobre "a verdadeira diversidade sexual na sociedade."

Na verdade, tais medidas já foram levadas a cabo em alguns países, particularmente na Escandinávia, onde os países locais se consideram a vanguarda da democracia Ocidental. O "Pravda.Ru" reportou no passado a história dum produtor de brinquedos infantis que, antes do Natal, publicou um catálogo onde se poderiam ver meninas a disparar contra inimigos imaginários com armas de laser, e onde os rapazes foram caracterizados a brincar com bonecas.

Isto foi um requerimento da entidade reguladora da publicidade sueca que acusou o produtor de brinquedos de "sexismo" e "imposição de estereótipos de género negativos." Em 2010 os infantários noruegueses introduziram um programa sexual obrigatório que se focava nas minorias sexuais.


O relatório do Parlamento Europeu insistiu também que o homossexualismo deveria "ser ensinado nos jardins infantis como uma forma de experiência e conhecimento." Segundo os mesmos, isto alargará o conceito de "identidade de género" para as crianças.
 
A diversidade sexual deveria ser óbvia para as crianças; elas precisam de saber que é normal que os seus pais sejam gays ou lésbicas.

Por incrível que pareça, nem todos os pais estão dispostos a acreditar que isto seja "normal." Na Noruega, por exemplo, a comunidade muçulmana opôs-se de forma assertiva a tal educação nos jardins infantis, chegando a ameaçar retirar as suas crianças de tais instituições ou desenvolver esforços para erigir instituições alternativas.


Para os pais "sombrios", que não estão cientes das últimas tendências da "educação sexual" no mundo moderno, o maior jornal Norueguês, o VG Nett, publicou recentemente uma opinião de psicólogos e terapêutas do sexo que afirmaram que seria benéfico para as crianças assistir pornografia na internet. O psicólogo e pesquisador sexual Andres Lindskog afirmou:


Os pais não deveriam ter medo da sexualidade dos seus filhos. Por outro lado, do ponto de vista da saúde, é benéfico assistir pornografia [com os filhos] numa altura em que os pais e os filhos falam abertamente destes assuntos.

Lindskog comentava uma declaração recentemente emitida por um perito da organização "Save the Children", que expressou preocupação com o facto de cada vez mais as crianças e os adolescentes se tornarem viciados em sites pornográficos. Anders Lindskog está convencido de que não há qualquer tipo de vício, habituação ou dano nisto:


É importante que os pais entendam que as suas crianças nascem com sexualidade e seguem a sua biologia. As crianças têm os mesmos sentimentos que os adultos.

Depois disto, é de admirar que o número de casos de pedofilia esteja em crescimento na Noruega? A maior parte destes casos ocorrem dentro da família.

Há poucos dias atrás os jornais escreveram dum caso assim: um casal - marido e mulher - sujeitaram os seus três filhos (todos com menos de 10 anos) a violência e perversão sexual  durante anos. As crianças confirmaram a violência à polícia.

Mas isto não significa que o castigo será suficientemente severo. Na Noruega, a pedofilia é considerada uma doença e é listada no Registo Médico. Por esta razão, os pedófilos recebem penas curtas - que vão de alguns meses a alguns anos. Em alguns casos o castigo pode-se limitar apenas a uma multa. Afinal, os pais podem sempre dizer que practicaram uma "diversidade de relações sexuais."


Enquanto os europeus atuais ensinam isto para seus meninos...
 ...os muçulmanos ensinam isto.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Lobby Homossexual e a Família Tradicional



Segundo estudo desenvolvido pela economista e doutora em saúde pública, Márcia Pinto, o fumo causa um prejuízo anual de, pelo menos, R$ 338,6 milhões ao SUS.

Por sua vez, o custo anual do Governo Federal no tratamento de pacientes homossexuais com AIDS é de aproximadamente R$ 280 milhões (2010). Portanto, o custo com a doença causa um prejuízo equiparável ao fumo, no que concerne à saúde pública.

Em outro estudo realizado pelo Dr. Paul Cameron, psiquiatra norte-americano PHD, ele compara a expectativa de vida de fumantes à típica expectativa de vida da maioria dos homossexuais, demonstrando que suas atividades são mais destrutivas do que o fumo e tão danosas quanto o uso de drogas.

Desta forma, torna-se totalmente contraditório um mesmo governo combater o tabagismo ao mesmo tempo que faz apologia homossexual, financiando paradas gays e promovendo campanhas contra a homofobia.

Então, algum "juristas" argumentam que o homossexualismo é diferente, que é um "direito humano", um "direito de personalidade".Parece claro que se tais ficções jurídicas podem ser inventadas em benefício do homossexual e às expensas da sociedade, o mesmo poderia ser feito em benefício do fumante. Poderíamos então falar em "direito à autodeterminação pulmonar" ou "direito à identidade tóxica" para defender o fumante, mas isso não é falado porque não está na lógica dos interesses de nossa elite governante.

A única explicação que temos para essa dialética da contradição é que realmente há má-fé no trato dessas questões por parte desta nossa elite. São duas questões análogas - a defesa do direito à saúde - que no entanto recebem tratamento distinto, violando assim o Princípio Constitucional da Isonomia. Deveriam comportar idêntico tratamento, mas não têm.

Os ativistas homossexuais unem capitalismo e socialismo sob uma mesma bandeira: a bandeira do movimento gay. É importante ressaltar que a homossexualidade é uma conduta de ordem privada que já tem seus direitos respeitados, uma vez que não é criminalizada pelo Estado, no entanto, o interesse do movimento não é a liberdade, mas sim impor à esfera pública que seu comportamento privado seja aceito e até exaltado. Trata-se de um movimento que não brotou espontaneamente, mas que foi financiado e cresceu sob o patrocínio de grandes organismos e ideologias antifamília e antivida.

O interesse em se beneficiar o homossexualismo é o de combater a natalidade e a família, ao mesmo tempo em que mina as bases cristãs da sociedade. Por isso, o custo à saúde pública é um custo de oportunidade das elites. Se de um lado eles perdem, do outro "ganham", seja incentivando os povos a não procriar, seja combatendo a família, que persiste sendo o núcleo fundamental de proteção ao cidadão contra a opressão do Estado.

A família tradicional é sempre um óbice para que novos valores sejam introduzidos, especialmente entre as novas gerações, os mais jovens, que governarão o mundo de amanhã. Marx sempre defendeu o desmantelamento da família. Abolir a "exploração das crianças pelos pais" e substituir a educação doméstica pela educação social são alguns dos ideais marxistas, como também a comunidade de mulheres. Em outras palavras, isto significa o fim da unidade familiar. Isto porque as famílias são monarquias naturais.Dissolvendo as famílias, dissolve-se a unidade, e assim facilita-se o trabalho de doutrinação socialista. Deste modo as crianças são miradas pelos socialistas, no sentido de que sejam educadas em lares gays, com vistas a lhes inculcar novos valores como o relativismo, niilismo e o igualitarismo.

O passo seguinte do socialismo, ao desintegrar a unidade familiar, é agrupar indivíduos segundo um interesse comum, a fim de que o voto lhes seja uma moeda de troca. Dessa forma a pessoa passa a ter seu valor na medida em que pertence a um grupo. E apenas assim. É o que frequentemente observamos nos partidos socialistas apoiando ostensivamente a fragmentação social e racial, através de "comunidades de bairros", "comunidades raciais".

Ao mesmo tempo, a sociedade de consumo condiciona o indivíduo ao consumo imoderado, à entrega aos prazeres e à inversão de dominação, do homem pelo produto, dos fins pelos meios. O consumo, igualmente, passa a ser um valor em si mesmo, e o prazer de se comprar um produto em uma prateleira, no mundo moderno de hoje, pode ter a mesma significância de se adotar uma criança. A atitude da maioria dos homossexuais é se entregar descomedidamente ao prazer e encara-lo como um fim em si mesmo. O prazer é, então, tal como uma modalidade de consumo, de maneira que o homossexual seria uma ferramenta útil à lógica do capitalismo, sendo portanto um bom modelo de consumidor. O poder de barganha gay se tornou importante na medida em que tais grupos se organizaram ideologicamente e principalmente pelo peso econômico que desfrutam no interior da sociedade.

Assim, o capitalismo lucra com a fragmentação promovida pelo socialismo, pois o grande sistema, o mercado, que antes destinava-se às famílias, passa agora a ter uma verdadeira rede de subsistemas.

Portanto, com um mínimo de reflexão, podemos ter a dimensão do potencial destrutivo do lobby homossexual, como um revés a vir afetar o que diz respeito à vida de todo cidadão comum.


Reescrito a partir do blog Mídia Católica

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Triunfo do Materialismo




O materialismo surgiu na história da humanidade como uma forma radical e redutora, por isso limitada, de interpretar a realidade. No materialismo tudo é reduzido ao palpável, ao visível, à sensação, à matéria caótica. Esta forma incompleta de conceber o Universo nasceu a partir do momento em que se estabeleceu uma clara separação entre a realidade pensante e a realidade não pensante. O materialismo sustenta que toda a realidade é de caráter material ou corporal, relegando para segundo plano toda a realidade pensante ou espiritual. A realidade espiritual caracteriza-se pela reflexão, pela força da vontade, pela capacidade intelectual e pelas virtudes morais que qualificam os indivíduos. O materialismo moderno, capitalista e marxista, tem, contudo, raízes longínquas no tempo. É um regresso ao passado, a doutrinas muito antigas que remontam ao tempo de Demócrito e de Epicuro nos séculos IV e III antes de Cristo.

Para além dos materialistas entenderem a matéria como fundamento de toda e qualquer realidade, entendem-na ainda como causa de todas as transformações. Argumentam que a matéria não é só o informe ou o indeterminado, mas também o formado e o determinado, esquecendo e desprezando, assim, a essência e todas as capacidades espirituais que estão na origem das diversas modificações. Obviamente, o materialismo não pode ser alargado ao campo gnosiológico e muito menos até ao campo metafísico.

No movimento sociocultural e político-religioso que foi o Renascimento encontramos o embrião do capitalismo burguês que, combatendo o espírito medieval cristão, implementou o lema “o homem vale aquilo que produz”. Incrementaram-se nesta altura os valores humanistas onde o homem passa a ser o centro do mundo, o egoísmo individualista encontrou, neste movimento revolucionário pré-moderno, terreno fértil para o seu germinar. Combatendo a liberdade da pureza fomentou-se a escravidão do vício; à virtude opôs-se a fama, a moral perdeu valor, o que importava era gozar o máximo possível a vida. Neste ambiente de profundas mudanças axiológicas, a fama surgiu como forma de sobrevivência após a morte. A inversão de paradigma desgraçadamente aconteceu, à caridade medieval opôs-se então, triunfante, a exploração renascentista.

O culminar desta mudança radical de vida extremou-se na revolução francesa de 1789, onde todas as formas de governo são subvertidas. O topo do mal não estava, porém, atingido, do meio da trapalhada e da perda total dos valores eclesiásticos, fundados numa entrega incondicional de amor à humanidade, eis que surge o fantástico criador do materialismo histórico: Karl Marx. A doutrina defendida por Marx e Engels, sustenta que não é o espírito que determina a história, mas que toda a vida espiritual é uma superestrutura da estrutura fundamental das relações econômicas de produção. Como um mal nunca vem só surge mais outro materialista famoso, Augusto Comte, pai do positivismo redutor do conhecimento à experiência e à sensação e fundador da Sociologia, que concebe o materialismo como a explicação do superior pelo inferior. Comte defende que da matéria precede tudo quanto depois vai surgir dela e, de certo modo, atribui à matéria as características do espírito e da consciência. O processo de evolução da matéria é de certo modo livre, e essa liberdade desprende-se do material e acaba forçosamente por se sobrepor a ele.

O materialista, seja capitalista ou socialista moderado, perante dois homens exatamente com a mesma altura, o mesmo peso e a mesma força física, afirmará que está na presença de dois homens iguais. Porém, nada é mais errado, pois a essência desses homens está na sua alma, nas suas ações, na capacidade de amar e de perdoar, está nas virtudes morais: Bondade; Senso de Justiça; Sinceridade; Honestidade; Fidelidade; Lealdade. O materialista, marxista, comunista ou anarquista, vai ainda mais longe e, para além do manifesto desprezo pelo espírito de cada qual, despreza também as capacidades físicas, tornando o ser humano numa massa uniforme.

Desde há algumas décadas que o mundo Ocidental está divido e governado por vários tentáculos do materialismo. Na liderança, com a batuta a orquestrar as mais variadas forças medíocres estão os patrões da comunicação social global e globalizante. Devido à eficácia da propaganda, a troca da felicidade na harmonia da ordem pelo absurdo mito da igualdade teve um preço enorme: massificação; egoísmo; inveja; desenraizamento; desmotivação; alienação; depressão; infelicidade; criminalidade; etc.

Se para explicar a realidade, a existência e os mistérios do mundo, a fé não chega, também é verdade que, só a ciência também não nos garante a mundividência nem nos dá sentido, motivação, conteúdo ou explicação para a vida, não permitindo a plenitude da contemplação. Só a fé e a ciência juntas são o garante do conhecimento total. O materialismo dominante tudo faz para travar a fé cristã ou qualquer outra fé que não tenha por base a fé fanática no absurdo individualismo. Para a psicanálise de Freud, a fé é uma doença psíquica, que mantém a pessoa no infantilismo roubando-lhe a autonomia e a liberdade, tornando-se fonte de neurose e de desequilíbrios psíquicos. Nada mais errado, a fé liberta os homens e promove os valores humanos, tais como: solidariedade; força; coragem; fidelidade. A fé enriquece o homem na sua personalidade e no compromisso com a sociedade. O homem sozinho mergulhado na angústia da solidão, provocada por valores egoístas, jamais poderá sentir-se feliz ou realizado. Para almejar a felicidade, o homem precisa necessariamente de amar e ser amado. O materialismo reduz o amor apenas à amizade interesseira e ao sexo. O mundo Ocidental está submerso no materialismo e as correntes que o oscilam ameaçam arrastar toda a humanidade para a profundeza de um abismo onde reina a escuridão intelectual.

Negas o espírito superior, chafurdas na mediocridade!


Retirado do blog Filosofia Tradicional

domingo, 30 de dezembro de 2012

Vivemos em uma Sociedade Ginecocrática?

Por Julius Evola


Muito tem sido escrito ultimamente na Itália sobre J.J. Bachofen, um pensador de Basel e contemporâneo de Nietzsche, cuja obra de gênio passou quase desapercebida durante sua vida, mas que é particularmente estudado hoje, especialmente na Alemanha. Bachofen devotou-se principalmente à exploração das civilizações antigas dos mundos clássico e mediterrâneo, especialmente em seus aspectos ético-religiosos, simbólicos e mitológicos, e sua ideia fundamental nessa área é de uma oposição original entre espiritualidade heroica, "solar", olímpica e viril, e espiritualidade "ctônica", "lunar", e feminina. Foi nessas linhas que ele interpretou as concepções religiosas, sistemas sociais, mitos, símbolos e formas político-legais das civilizações antigas, notando mais e mais o contraste e a interferência entre influências relacionadas a várias formas de espiritualidade que hoje podem facilmente serem referidas a distintos componentes raciais do mundo mediterrâneo arcaico: a civilização "solar" ou "urânica" obviamente associada às raças arianas, e a "ctônica" e feminina, associada, ao contrário, às raças pré-arianas ou anti-arianas.

As opiniões de Bachofen, ademais, não tem apenas um valor retrospectivo, elas usualmente oferecem importantes pontos de referência para compreender o significado mais profundo de alguns aspectos de nossa própria civilização moderna, através de impressionantes relações de análoga. É por isso que pensamos que pode não ser desprovido de interesse desenvolver algumas considerações sobre este tópico.

Em primeiro lugar, nós gostaríamos de nos deter na natureza e nos vários aspectos dessa civilização chamada por Bachofen de civilização da Mãe ou ginecocracia (de "gyne" e "krateia", quer dizer: governada pelas mulheres) e que, para nós, é identificada com a civilização anti-ariana e pré-ariana do mediterrâneo arcaico.

A primeira característica distintiva de tal civilização é o "telurismo" (de "tellus", que, bem como "chthonos" significa "terreno"). Essa civilização considera a lei da terra como sendo a lei suprema. A terra é a Mãe. Sob o aspecto da Mulher Divina, da Grande Mãe da Vida, ela incorpora o que é eterno e imutável. Ela permanece idêntica a si mesma e inexorável, enquanto tudo que ela produz tem um nascimento e um declínio, uma vida individual puramente finita e evanescente. Desprovido de qualquer virilidade espiritual e sobrenatural, tudo que é força e masculinidade então assume uma natureza obscura, selvagem, em verdade "ctônica" e "telúrica". E se "telúrico" geralmente nos faz pensar em fenômenos sísmicos, essa associação de ideias, em certa medida, faz sentido. Na visão do mundo em questão, a virilidade tem como seus protótipos divinos figuras como Poseidon, também chamado o "fazedor de terremotos", o deus do subterrâneo ctônico e das águas turbulentas, analogamente ligado pelos antigos a forças de passionalidade e instinto. Mais geralmente, a era ou civilização da Mãe é "telúrica", com referência a um sentido de destino, de necessidade, de evanescência fatal, de vida misturada com morte, fonte de impulsos selvagens e irrepreensíveis.

Para Bachofen, matriarquia, "ginecocracia", aquela de Deméter ou de Afrodite, esta na qual a Mãe Divina, diferentemente da antiga Deméter, tinha simultaneamente características sensuais, é a consequência social dessa visão central. Onde quer que o princípio supremo seja entendido como uma Grande Mãe (Magna Mater), a mulher terrena, que aparece como a encarnação mais próxima dela, vem a assumir naturalmente uma dignidade religiosa e a maior autoridade. É ela que essencialmente aparece como a doadora da vida, e, em relação a ela, o homem é apenas um instrumento. Sob seu aspecto maternal, ela então incorpora a lei, ela é a verdadeira base e o centro da família. Como amante, sob seu aspecto afrodítico, ela é então novamente a soberana do homem que é meramente escravo de seus sentidos e da sexualidade, meramente o ser "telúrico" que encontra seu descanso e seu êxtase apenas na mulher. Daí os vários tipos de mulheres da realiza asiática com características afrodíticas, acima de tudo nas antigas civilizações de linhagem semítica, e as rainhas-amantes de cujas mãos os homens recebem o poder e que se tornam o centro de um extremo refinamento da vida, um sinal de uma civilização essencialmente baseada no lado físico e sensual da existência. Mas onde quer que a mulher tenha características "demetéricas" mais que "afrodíticas" (a Deméter mítica possuía uma natureza majoritariamente casta e maternal), ela aparece também como uma Iniciadora no mundo antigo, como a que mantém e participa dos maiores mistérios. Em uma civilização na qual a virilidade significa apenas materialidade, a mulher, seja por causa do enigma da geração ou por causa de suas habilidades sutis de devoção e encanto, assume características religiosas, e ela se torna o ponto de referência de cultos e iniciações que prometem um contato com as Mães da Vida, com a espiritualidade cósmica, com o mistério do ventre da terra geradora.

Duas outras características do tipo de civilização em questão derivam disso, nomeadamente o elemento "dionisíaco" e o elemento "lunar". O mistério desses elementos, que podem ser mediados por uma mulher, não podem ser o mistério da espiritualidade olímpica, apolínea, solar, não pode ser aquele que está ligado à luminosidade viril e heroica da existência mortal, guiada pelo ideal de uma existência que, segundo o símbolo oferecido pelas naturezas solar e estelar do céu, é livre de qualquer mistura promíscua com a matéria e com o devir e é subsistiente e luz radiante por si própria.

Este, por contraste, era o ideal "urânico" (de "ouranos", "céu") que era específico ao outro tipo de espiritualidade. O mistério da Mãe ao invés leva a algo similar a uma dissolução panteística. É uma liberação disforme, alcançada, para não dizer arrebatada, em experiências desordenadas nas quais o elemento sensual e suprassensual misturam-se curiosamente e o lado "telúrico" se reafirma no sentido dominante de "orgia sagrada", na exaltação mística combinada com qualquer excesso e todos os tipos de manifestações selvagens. Tal era, em geral, o "dionisianismo".

É por isso que, no mito antigo, Dionísio é sempre significativamente acompanhado pelas Mães da Natureza, que assumem características majoritariamente "afrodíticas"; historicamente, também, seu culto era fortemente conectado com o sexo feminino e suas seguidores mais alegres e entusiasmadas eram mulheres.

Nessa conexão, a "lunaridade" já havia sido mencionada. A lua costumava ser chamada "terra celestial". Ela era assim entendida como uma sublimação do terreno, isto é do elemento ctônico. É luz, não como luz radiante, mas como luz refletida. É luz sem um centro próprio; seu centro, diferentemente do sol, está fora de si, ela é então luz "feminina" passiva - está intimamente conectada com a espiritualidade disforme dos êxtases e liberações que subjazem o signo da Mulher, enquanto, por outro lado, ela pode ser pensada como um contemplativismo, uma abstração ou um entendimento de leis abstratas, ao invés de um conhecimento "solar" essencial.
Agora, era uma característica das civilizações antigas da Mãe conferir à Lua uma preeminência sobre o Sol - nelas, a Lua às vezes até se torna masculina em gênero, o deus Lunus, seja para designar essa primazia ou para caracterizar o lado presumidamente negativo da virilidade. Mas o que também é específico à civilização que estamos analisando aqui é a idéia de uma primazia da Noite sobre o Dia, da Escuridão sobre a Luz. Escuridão e Noite são o elemento sagrado maternal, primordial e essencial: no mito, o Dia é produzido pela Noite, na qual ele se dissolve de novo.

Dois outros aspectos permanecem para serem considerados: a promiscuidade social, ou igualitarismo, e o "amazonismo". Bachofen, entre seus outros méritos, tem aquele de trazer à luz as origens "telúricas" e matriarcais da assim chamada doutrina do direito natural. A premissa original de tal doutrina é precisamente que todos os homens, como filhos da Mãe e seres também sujeitos à lei da terra, são iguais, de modo que qualquer desigualdade é uma "injustiça", um ultraje à lei da natureza. Daí a conexão que a antiguidade nos mostra entre o elemento plebeu e seus cultos maternos e ctônicos e o fato de que essas antigas festas orgiásticas e dionisíacas, que, junto com as mais extremas formas de licenciosidade e promiscuidade sexual, foram pretendidas para celebrar o retorno dos homens ao estado de natureza através da obliteração momentânea de qualquer diferença social e de qualquer hierarquia, eram centradas precisaente nas divindades femininas do ciclo "telúrico", mais ou menos diretamente derivadas do tipo da Grande Mãe da Vida. Quanto ao "amazonismo", Bachofen o via como uma variante de "gineocracia". Onde a mulher não consegue se afirmar através de seu elemento religioso materno ("demetérico"), ela tenta se afirmar vis-a-vis o homem através de uma falsificação das qualidades viris de poder e combatividade.

Tai são as características fundamentais da "Civilização da Mãe", característica, para assim dizer, do substrato pré-ariano do antigo mundo mediterrâneo. Ela foi derrotada pela Grécia Apolínea, Dórica e Olímpica; e então, e ainda mais completamente, pela Roma "solar", guardiã ciumenta do princípio do direito paternal e do ideal de espiritualidade viril. Porém, como as coisas são um processo de renovação constante, as variedades dessa cultura "telúrica" se manifestam novamente onde quer que um ciclo termine, onde quer que a tensão heroica e a vontade construtiva desaparecem e formas decadentes e degeneradas de vida e espiritualidade começam a reaparecer.

Agora, o que é notável aqui é a correspondência de muitos aspectos da civilização contemporânea à civilização da Mãe. Em suas manifestações externas, essa correspondência já foi notada. "Nas ruas de Berlim, Paris, ou Londres", como por exemplo, Alfred Baeumler, um famoso pensador nacional-socialista, escreveu, "tudo que você tem que fazer é observar por um momento um homem ou uma mulher para perceber que o culto de Afrodite é aquele diante do qual Zeus e Apolo tiveram que bater em retirada... A presente era porta, em verdade, todas as características de uma era ginecocrática. Em uma civilização tardia e decadente, novos templos de Ísis e Astarte, dessas deusas maternais asiáticas que eram celebradas em orgias e licenciosidade, em um afundar desesperado no prazer sensual, emergem. A fêmea fascinante é o ídolo de nossos tempos, e, com lábios pintados, ela caminha pelas ruas das cidades europeias como ela outrora caminhou por Babilônia. E como se ela quisesse confirmar a profunda intuição de Bachofen, a levemente trajada governadora do homem mantém na correia um cão, o antigo símbolo da promiscuidade sexual ilimitada e das forças infernais". Mas essas analogias podem ser ainda mais desenvolvidas.

Os tempos modernos são "telúricos", não apenas em seus aspectos mecanicistas e materialistas, mas também, e essencialmente, em diversos de seus aspectos "vitalistas", em suas várias religiões da Vida, do Irracional e do Devir, precisa antítese de qualquer concepção "clássica" e "olímpica" do mundo. Para Keyserling, muitas das correntes da assim chamada "revolução mundial" revelam uma natureza "telúrica" - ou seja irracional, principalmente associadas a formas de coragem, auto-sacrifício, fervor e dedicação sem referência transcendente. Em muitos casos, ele está certo.

Com o advento da democracia, com a proclamação dos "princípios imortais" e dos "direitos do homem e do cidadão" e o desenvolvimento subsequente dessas "conquistas" na Europa no marxismo e no comunismo, é exatamente o "direito natural", a lei niveladora e anti-aristocrática da Mãe, que o Ocidente resgatou, renunciando a qualquer valor "solar" e viril ariano e confirmando, com a onipotência tão comumente garantida ao elemento coletivista, a antiga irrelevância do indivíduo para a concepção "telúrica".

Dionísio reaparece com o romantismo moderno: nós temos aqui o mesmo amor pelo disforme, pelo confuso, pelo ilimitado, a mesma promiscuidade entre sensação e espírito, o mesmo antagonismo frente ao ideal viril e apolíneo de clareza, forma e limite. Pode a natureza "lunar" do tipo mais difundido de cultura moderna possivelmente ser posto em dúvida? Para fazer referência a uma cultura baseada em um intelectualismo pálido e vazio, uma cultura estéril separada da vida, capaz apenas de criticismo, especulação abstrata e "criatividade" vã: cultura que levou o refinamento material ao extremo e na qual a mulher e a sensualidade muitas vezes se tornam motivos predominantes a um nível quase patológico e obsessivo.

E onde quer que a mulher não se torne o novo ídolo das massas sob as formas modernas da "estrela de cinema" e de similares aparições afrodíticas, ela normalmente afirma sua primazia em novas formas "amazônicas". Assim nós vemos o novo tipo da mulher esportista masculinizada, da garçonne, da mulher que se devota ao desenvolvimento insano de seu próprio corpo, que trai sua verdadeira missão, que se torna emancipada e independente ao ponto de ser capaz de escolher os homens que ela quer ter e usá-los. E isto não é tudo.

Na civilização anglo-saxã, e particularmente na América, o homem que esgota sua vida e tempo nos negócios e na busca por riqueza, uma riqueza que, em grande medida, serve apenas para pagar pela luxúria, caprichos, vícios, e refinamentos femininos, concedeu à mulher o privilégio e até mesmo o monopólio de lidar com coisas "espirituais". E é precisamente nessa civilização que nós vemos uma proliferação de seitas "espiritualistas", espíritas, místicas, nas quais a predominância do elemento feminino já é significativo por si mesmo (a principal, a seita teosófica, foi totalmente e simplesmente criada e comandada por mulheres, Blavatsky, Besant e, finalmente, Bailey). Mas é por uma razão muito mais importante que o novo espiritualismo nos aparece como uma forma de reencarnação dos antigos mistérios femininos: é o escapismo disforme em experiências suprassensuais confusas, a promiscuidade da mediunidade e do espiritualismo, a evocação inconsciente de influências verdadeiramente "infernais" e a ênfase posta em doutrinas como a reencarnação, que confirmam, nessas correntes pseudo-espirituais, a correspondência que nós já mencionamos e provam que, nesses desejos desviados de ir para além do "materialismo", o mundo moderno não conseguiu encontrar nada que o conecte com as tradições superiores, olímpicas e solares da espiritualidade ariana.

Não confirma a psicanálise, com a proeminência que ela dá ao inconsciente sobre a consciência, à "noite", ao subterrâneo, ao atávico, ao instintivo, ao lado sensual do ser humano sobre tudo que é vida, vontade e verdadeira personalidade, novamente a antiga doutrina da primazia da Noite sobre o Dia, do maternal, da Escuridão sobre as formas, supostamente evanescentes e irrelevantes, que emergem dela para a luz? 

Deve ser reconhecido que estas analogias, longe de serem extravagantes ou arbitrárias, são baseadas em fundamentos que são amplos e substanciais e portanto gravemente perturbadores, já que uma nova "Era das Mães" pode ser o sinal do fim de um ciclo. Isso não é, obviamente, o mundo ao qual nós pertencemos e que está em harmonia com as forças de nossa revolução restauradora. Porém, infiltrações e desvios podem ser notados mesmo onde eles seriam menos esperados. Na Alemanha, nós poderíamos mencionar Klages e Bergmann, pensadores que, apesar de arianos, ainda proclamam de um modo surpreendentemente extremo concepções ginecocráticas e "telúricas" de vida. Na Itália, nós mencionaremos apenas dois casos. Eis o que pode ser lido na página 185 de uma recém publicada "Inchiesta sulla Razza": "O maior avanço da humanidade na direção da perfeição é constituído pela mulher. A mulher realmente é a intérprete do reino dos espíritos puros. Ela é mais pura e mais perfeita que o homem. E o homem sente uma atração irresistível por ela, a mesma atração, porém conspícua que um ser menos puro sente pelo mais puro". Nas páginas 152-153 de outro livro, "Valori della Stirpe Italiana", outra camada de "ginecocracia" é acrescentada: "Ao redor da mulher, como da Santa Mãe, todo o paraíso gira. Ventre de incontáveis vidas, é da Mãe que nasce tudo que vive no mundo. Da Noite nasce a vida, da Mãe Terra tudo se difunde. Ela é o sacramento vivo, como o Pão implicitamente contém o Deus vivo. A mulher é então a guardiã e o símbolo da raça: seus efeitos podem ser vistos em todas as criaturas, mas é nela que sua substância fundamental é adorada".

O fato de que, na Itália, dentro do movimento restaurador romano e ariano, ideias desse tipo podem ser proclamadas, mesmo como expressões esporádicas, mostra em que medida a confusão de valores pode às vezes chegar. As antíteses definidas por Bachofen são de importância fundamental para uma orientação correta. Nós temos visto que as formas contidas na antiga civilização da Mãe poderia nos permitir a identificar com precisão tudo que é crepuscular no mundo moderno. Os valores e ideais da civilização solar, olímpica e viril podem inversamente nos dar, com bastante precisão, as diretrizes para uma verdadeira reconstrução europeia, sobre bases autenticamente arianas, romanas, e fascistas, um ponto ao qual nós teremos que retornar ocasionalmente.