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domingo, 30 de dezembro de 2012

Vivemos em uma Sociedade Ginecocrática?

Por Julius Evola


Muito tem sido escrito ultimamente na Itália sobre J.J. Bachofen, um pensador de Basel e contemporâneo de Nietzsche, cuja obra de gênio passou quase desapercebida durante sua vida, mas que é particularmente estudado hoje, especialmente na Alemanha. Bachofen devotou-se principalmente à exploração das civilizações antigas dos mundos clássico e mediterrâneo, especialmente em seus aspectos ético-religiosos, simbólicos e mitológicos, e sua ideia fundamental nessa área é de uma oposição original entre espiritualidade heroica, "solar", olímpica e viril, e espiritualidade "ctônica", "lunar", e feminina. Foi nessas linhas que ele interpretou as concepções religiosas, sistemas sociais, mitos, símbolos e formas político-legais das civilizações antigas, notando mais e mais o contraste e a interferência entre influências relacionadas a várias formas de espiritualidade que hoje podem facilmente serem referidas a distintos componentes raciais do mundo mediterrâneo arcaico: a civilização "solar" ou "urânica" obviamente associada às raças arianas, e a "ctônica" e feminina, associada, ao contrário, às raças pré-arianas ou anti-arianas.

As opiniões de Bachofen, ademais, não tem apenas um valor retrospectivo, elas usualmente oferecem importantes pontos de referência para compreender o significado mais profundo de alguns aspectos de nossa própria civilização moderna, através de impressionantes relações de análoga. É por isso que pensamos que pode não ser desprovido de interesse desenvolver algumas considerações sobre este tópico.

Em primeiro lugar, nós gostaríamos de nos deter na natureza e nos vários aspectos dessa civilização chamada por Bachofen de civilização da Mãe ou ginecocracia (de "gyne" e "krateia", quer dizer: governada pelas mulheres) e que, para nós, é identificada com a civilização anti-ariana e pré-ariana do mediterrâneo arcaico.

A primeira característica distintiva de tal civilização é o "telurismo" (de "tellus", que, bem como "chthonos" significa "terreno"). Essa civilização considera a lei da terra como sendo a lei suprema. A terra é a Mãe. Sob o aspecto da Mulher Divina, da Grande Mãe da Vida, ela incorpora o que é eterno e imutável. Ela permanece idêntica a si mesma e inexorável, enquanto tudo que ela produz tem um nascimento e um declínio, uma vida individual puramente finita e evanescente. Desprovido de qualquer virilidade espiritual e sobrenatural, tudo que é força e masculinidade então assume uma natureza obscura, selvagem, em verdade "ctônica" e "telúrica". E se "telúrico" geralmente nos faz pensar em fenômenos sísmicos, essa associação de ideias, em certa medida, faz sentido. Na visão do mundo em questão, a virilidade tem como seus protótipos divinos figuras como Poseidon, também chamado o "fazedor de terremotos", o deus do subterrâneo ctônico e das águas turbulentas, analogamente ligado pelos antigos a forças de passionalidade e instinto. Mais geralmente, a era ou civilização da Mãe é "telúrica", com referência a um sentido de destino, de necessidade, de evanescência fatal, de vida misturada com morte, fonte de impulsos selvagens e irrepreensíveis.

Para Bachofen, matriarquia, "ginecocracia", aquela de Deméter ou de Afrodite, esta na qual a Mãe Divina, diferentemente da antiga Deméter, tinha simultaneamente características sensuais, é a consequência social dessa visão central. Onde quer que o princípio supremo seja entendido como uma Grande Mãe (Magna Mater), a mulher terrena, que aparece como a encarnação mais próxima dela, vem a assumir naturalmente uma dignidade religiosa e a maior autoridade. É ela que essencialmente aparece como a doadora da vida, e, em relação a ela, o homem é apenas um instrumento. Sob seu aspecto maternal, ela então incorpora a lei, ela é a verdadeira base e o centro da família. Como amante, sob seu aspecto afrodítico, ela é então novamente a soberana do homem que é meramente escravo de seus sentidos e da sexualidade, meramente o ser "telúrico" que encontra seu descanso e seu êxtase apenas na mulher. Daí os vários tipos de mulheres da realiza asiática com características afrodíticas, acima de tudo nas antigas civilizações de linhagem semítica, e as rainhas-amantes de cujas mãos os homens recebem o poder e que se tornam o centro de um extremo refinamento da vida, um sinal de uma civilização essencialmente baseada no lado físico e sensual da existência. Mas onde quer que a mulher tenha características "demetéricas" mais que "afrodíticas" (a Deméter mítica possuía uma natureza majoritariamente casta e maternal), ela aparece também como uma Iniciadora no mundo antigo, como a que mantém e participa dos maiores mistérios. Em uma civilização na qual a virilidade significa apenas materialidade, a mulher, seja por causa do enigma da geração ou por causa de suas habilidades sutis de devoção e encanto, assume características religiosas, e ela se torna o ponto de referência de cultos e iniciações que prometem um contato com as Mães da Vida, com a espiritualidade cósmica, com o mistério do ventre da terra geradora.

Duas outras características do tipo de civilização em questão derivam disso, nomeadamente o elemento "dionisíaco" e o elemento "lunar". O mistério desses elementos, que podem ser mediados por uma mulher, não podem ser o mistério da espiritualidade olímpica, apolínea, solar, não pode ser aquele que está ligado à luminosidade viril e heroica da existência mortal, guiada pelo ideal de uma existência que, segundo o símbolo oferecido pelas naturezas solar e estelar do céu, é livre de qualquer mistura promíscua com a matéria e com o devir e é subsistiente e luz radiante por si própria.

Este, por contraste, era o ideal "urânico" (de "ouranos", "céu") que era específico ao outro tipo de espiritualidade. O mistério da Mãe ao invés leva a algo similar a uma dissolução panteística. É uma liberação disforme, alcançada, para não dizer arrebatada, em experiências desordenadas nas quais o elemento sensual e suprassensual misturam-se curiosamente e o lado "telúrico" se reafirma no sentido dominante de "orgia sagrada", na exaltação mística combinada com qualquer excesso e todos os tipos de manifestações selvagens. Tal era, em geral, o "dionisianismo".

É por isso que, no mito antigo, Dionísio é sempre significativamente acompanhado pelas Mães da Natureza, que assumem características majoritariamente "afrodíticas"; historicamente, também, seu culto era fortemente conectado com o sexo feminino e suas seguidores mais alegres e entusiasmadas eram mulheres.

Nessa conexão, a "lunaridade" já havia sido mencionada. A lua costumava ser chamada "terra celestial". Ela era assim entendida como uma sublimação do terreno, isto é do elemento ctônico. É luz, não como luz radiante, mas como luz refletida. É luz sem um centro próprio; seu centro, diferentemente do sol, está fora de si, ela é então luz "feminina" passiva - está intimamente conectada com a espiritualidade disforme dos êxtases e liberações que subjazem o signo da Mulher, enquanto, por outro lado, ela pode ser pensada como um contemplativismo, uma abstração ou um entendimento de leis abstratas, ao invés de um conhecimento "solar" essencial.
Agora, era uma característica das civilizações antigas da Mãe conferir à Lua uma preeminência sobre o Sol - nelas, a Lua às vezes até se torna masculina em gênero, o deus Lunus, seja para designar essa primazia ou para caracterizar o lado presumidamente negativo da virilidade. Mas o que também é específico à civilização que estamos analisando aqui é a idéia de uma primazia da Noite sobre o Dia, da Escuridão sobre a Luz. Escuridão e Noite são o elemento sagrado maternal, primordial e essencial: no mito, o Dia é produzido pela Noite, na qual ele se dissolve de novo.

Dois outros aspectos permanecem para serem considerados: a promiscuidade social, ou igualitarismo, e o "amazonismo". Bachofen, entre seus outros méritos, tem aquele de trazer à luz as origens "telúricas" e matriarcais da assim chamada doutrina do direito natural. A premissa original de tal doutrina é precisamente que todos os homens, como filhos da Mãe e seres também sujeitos à lei da terra, são iguais, de modo que qualquer desigualdade é uma "injustiça", um ultraje à lei da natureza. Daí a conexão que a antiguidade nos mostra entre o elemento plebeu e seus cultos maternos e ctônicos e o fato de que essas antigas festas orgiásticas e dionisíacas, que, junto com as mais extremas formas de licenciosidade e promiscuidade sexual, foram pretendidas para celebrar o retorno dos homens ao estado de natureza através da obliteração momentânea de qualquer diferença social e de qualquer hierarquia, eram centradas precisaente nas divindades femininas do ciclo "telúrico", mais ou menos diretamente derivadas do tipo da Grande Mãe da Vida. Quanto ao "amazonismo", Bachofen o via como uma variante de "gineocracia". Onde a mulher não consegue se afirmar através de seu elemento religioso materno ("demetérico"), ela tenta se afirmar vis-a-vis o homem através de uma falsificação das qualidades viris de poder e combatividade.

Tai são as características fundamentais da "Civilização da Mãe", característica, para assim dizer, do substrato pré-ariano do antigo mundo mediterrâneo. Ela foi derrotada pela Grécia Apolínea, Dórica e Olímpica; e então, e ainda mais completamente, pela Roma "solar", guardiã ciumenta do princípio do direito paternal e do ideal de espiritualidade viril. Porém, como as coisas são um processo de renovação constante, as variedades dessa cultura "telúrica" se manifestam novamente onde quer que um ciclo termine, onde quer que a tensão heroica e a vontade construtiva desaparecem e formas decadentes e degeneradas de vida e espiritualidade começam a reaparecer.

Agora, o que é notável aqui é a correspondência de muitos aspectos da civilização contemporânea à civilização da Mãe. Em suas manifestações externas, essa correspondência já foi notada. "Nas ruas de Berlim, Paris, ou Londres", como por exemplo, Alfred Baeumler, um famoso pensador nacional-socialista, escreveu, "tudo que você tem que fazer é observar por um momento um homem ou uma mulher para perceber que o culto de Afrodite é aquele diante do qual Zeus e Apolo tiveram que bater em retirada... A presente era porta, em verdade, todas as características de uma era ginecocrática. Em uma civilização tardia e decadente, novos templos de Ísis e Astarte, dessas deusas maternais asiáticas que eram celebradas em orgias e licenciosidade, em um afundar desesperado no prazer sensual, emergem. A fêmea fascinante é o ídolo de nossos tempos, e, com lábios pintados, ela caminha pelas ruas das cidades europeias como ela outrora caminhou por Babilônia. E como se ela quisesse confirmar a profunda intuição de Bachofen, a levemente trajada governadora do homem mantém na correia um cão, o antigo símbolo da promiscuidade sexual ilimitada e das forças infernais". Mas essas analogias podem ser ainda mais desenvolvidas.

Os tempos modernos são "telúricos", não apenas em seus aspectos mecanicistas e materialistas, mas também, e essencialmente, em diversos de seus aspectos "vitalistas", em suas várias religiões da Vida, do Irracional e do Devir, precisa antítese de qualquer concepção "clássica" e "olímpica" do mundo. Para Keyserling, muitas das correntes da assim chamada "revolução mundial" revelam uma natureza "telúrica" - ou seja irracional, principalmente associadas a formas de coragem, auto-sacrifício, fervor e dedicação sem referência transcendente. Em muitos casos, ele está certo.

Com o advento da democracia, com a proclamação dos "princípios imortais" e dos "direitos do homem e do cidadão" e o desenvolvimento subsequente dessas "conquistas" na Europa no marxismo e no comunismo, é exatamente o "direito natural", a lei niveladora e anti-aristocrática da Mãe, que o Ocidente resgatou, renunciando a qualquer valor "solar" e viril ariano e confirmando, com a onipotência tão comumente garantida ao elemento coletivista, a antiga irrelevância do indivíduo para a concepção "telúrica".

Dionísio reaparece com o romantismo moderno: nós temos aqui o mesmo amor pelo disforme, pelo confuso, pelo ilimitado, a mesma promiscuidade entre sensação e espírito, o mesmo antagonismo frente ao ideal viril e apolíneo de clareza, forma e limite. Pode a natureza "lunar" do tipo mais difundido de cultura moderna possivelmente ser posto em dúvida? Para fazer referência a uma cultura baseada em um intelectualismo pálido e vazio, uma cultura estéril separada da vida, capaz apenas de criticismo, especulação abstrata e "criatividade" vã: cultura que levou o refinamento material ao extremo e na qual a mulher e a sensualidade muitas vezes se tornam motivos predominantes a um nível quase patológico e obsessivo.

E onde quer que a mulher não se torne o novo ídolo das massas sob as formas modernas da "estrela de cinema" e de similares aparições afrodíticas, ela normalmente afirma sua primazia em novas formas "amazônicas". Assim nós vemos o novo tipo da mulher esportista masculinizada, da garçonne, da mulher que se devota ao desenvolvimento insano de seu próprio corpo, que trai sua verdadeira missão, que se torna emancipada e independente ao ponto de ser capaz de escolher os homens que ela quer ter e usá-los. E isto não é tudo.

Na civilização anglo-saxã, e particularmente na América, o homem que esgota sua vida e tempo nos negócios e na busca por riqueza, uma riqueza que, em grande medida, serve apenas para pagar pela luxúria, caprichos, vícios, e refinamentos femininos, concedeu à mulher o privilégio e até mesmo o monopólio de lidar com coisas "espirituais". E é precisamente nessa civilização que nós vemos uma proliferação de seitas "espiritualistas", espíritas, místicas, nas quais a predominância do elemento feminino já é significativo por si mesmo (a principal, a seita teosófica, foi totalmente e simplesmente criada e comandada por mulheres, Blavatsky, Besant e, finalmente, Bailey). Mas é por uma razão muito mais importante que o novo espiritualismo nos aparece como uma forma de reencarnação dos antigos mistérios femininos: é o escapismo disforme em experiências suprassensuais confusas, a promiscuidade da mediunidade e do espiritualismo, a evocação inconsciente de influências verdadeiramente "infernais" e a ênfase posta em doutrinas como a reencarnação, que confirmam, nessas correntes pseudo-espirituais, a correspondência que nós já mencionamos e provam que, nesses desejos desviados de ir para além do "materialismo", o mundo moderno não conseguiu encontrar nada que o conecte com as tradições superiores, olímpicas e solares da espiritualidade ariana.

Não confirma a psicanálise, com a proeminência que ela dá ao inconsciente sobre a consciência, à "noite", ao subterrâneo, ao atávico, ao instintivo, ao lado sensual do ser humano sobre tudo que é vida, vontade e verdadeira personalidade, novamente a antiga doutrina da primazia da Noite sobre o Dia, do maternal, da Escuridão sobre as formas, supostamente evanescentes e irrelevantes, que emergem dela para a luz? 

Deve ser reconhecido que estas analogias, longe de serem extravagantes ou arbitrárias, são baseadas em fundamentos que são amplos e substanciais e portanto gravemente perturbadores, já que uma nova "Era das Mães" pode ser o sinal do fim de um ciclo. Isso não é, obviamente, o mundo ao qual nós pertencemos e que está em harmonia com as forças de nossa revolução restauradora. Porém, infiltrações e desvios podem ser notados mesmo onde eles seriam menos esperados. Na Alemanha, nós poderíamos mencionar Klages e Bergmann, pensadores que, apesar de arianos, ainda proclamam de um modo surpreendentemente extremo concepções ginecocráticas e "telúricas" de vida. Na Itália, nós mencionaremos apenas dois casos. Eis o que pode ser lido na página 185 de uma recém publicada "Inchiesta sulla Razza": "O maior avanço da humanidade na direção da perfeição é constituído pela mulher. A mulher realmente é a intérprete do reino dos espíritos puros. Ela é mais pura e mais perfeita que o homem. E o homem sente uma atração irresistível por ela, a mesma atração, porém conspícua que um ser menos puro sente pelo mais puro". Nas páginas 152-153 de outro livro, "Valori della Stirpe Italiana", outra camada de "ginecocracia" é acrescentada: "Ao redor da mulher, como da Santa Mãe, todo o paraíso gira. Ventre de incontáveis vidas, é da Mãe que nasce tudo que vive no mundo. Da Noite nasce a vida, da Mãe Terra tudo se difunde. Ela é o sacramento vivo, como o Pão implicitamente contém o Deus vivo. A mulher é então a guardiã e o símbolo da raça: seus efeitos podem ser vistos em todas as criaturas, mas é nela que sua substância fundamental é adorada".

O fato de que, na Itália, dentro do movimento restaurador romano e ariano, ideias desse tipo podem ser proclamadas, mesmo como expressões esporádicas, mostra em que medida a confusão de valores pode às vezes chegar. As antíteses definidas por Bachofen são de importância fundamental para uma orientação correta. Nós temos visto que as formas contidas na antiga civilização da Mãe poderia nos permitir a identificar com precisão tudo que é crepuscular no mundo moderno. Os valores e ideais da civilização solar, olímpica e viril podem inversamente nos dar, com bastante precisão, as diretrizes para uma verdadeira reconstrução europeia, sobre bases autenticamente arianas, romanas, e fascistas, um ponto ao qual nós teremos que retornar ocasionalmente. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mulher Absoluta: Um Esclarecimento do Pensamento de Evola em relação às Mulheres

Por Amanda Bradley



Um dos conceitos centrais da filosofia de gênero de Julius Evola é a distinção entre homem absoluto e mulher absoluta. Mas ele raramente dá definições explícitas desses termos. Homem e mulher absolutos podem ser associados a Formas Platônicas, assim defini-los pode ser tão difícil quanto definir Justiça, Verdade, ou Amor. 

O termo "mulher absoluta" inspira mais controvérsia do que "homem absoluto". Dado que o princípio masculino é associado com luz, bondade, e atividade, enquanto o princípio feminino é associado com escuridão, maldade, e passividade, as feministas podem facilmente afirmar que a opiniões de Evola são inerentemente misóginas. Outro ponto de controvérsia é a influência de Otto Weininger sobre Evola. O próprio Evola admite que Weininger deve ser lido criticamente devido a seu "complexo misógino inconsciente". 

É importante abordar os escritos de Evola a respeito das mulheres para que suas opiniões sejam corretamente compreendidas. Dado que ele opunha-se ao feminismo emergente de seu tempo, seria fácil para aqueles não familiares com suas idéias inferir que Evola também era anti-mulher. Ao explicar suas opiniões e não ignorar quaisquer pontos que de fato soem misoginistas (como é o caso com alguns dos devotos de Evola) a Nova Direita pode solidificar os termos do discurso e elucidar precisamente sua posição.


Evola sobre a Composição dos Seres Humanos 

A mais simples definição de "mulher absoluta" é o princípio feminino, a força feminina do universo. O homem e a mulher individuais possuem graus variáveis do homem e da mulher absolutos, ainda que o princípio feminino usualmente seja a força subjacente nas mulheres. 

No mundo moderno (a Kali Yuga) essas forças aparecem em formas mais degeneradas e também não manifestam-se sempre apropriadamente. Em verdade, Evola disse que "casos de desenvolvimento sexual completo são raramente encontrados. Quase todo homem porta alguns traços de feminilidade e cada mulher resíduos de masculinidade... os traços que são considerados típicos para a psique feminina podem ser encontrados no homem tanto quanto na mulher, particularmente em fases regressivas de uma civilização". Ademais, estes "manifestam-se diferentemente dependendo da raça e do tipo de civilização". 

Para compreender a influência da "mulher absoluta" é primeiro necessário compreender a concepção de Evola sobre o ser humano. Ele sustentava que os humanos são compostos de três partes: 

1. o indivíduo exterior (a personalidade, ou ego). 
2. o nível do ser profundo, o assento do principium individuationis. Essa é a verdadeira "face" de uma pessoa em oposição à máscara do ego. 
3. o nível das forças elementares que são "superiores e anteriores à individuação, mas que atuam como o assento último do indivíduo". 

É no terceiro nível, o das forças elementares, em que a atração sexual é despertada. Assim é aque que as forças elementares que compreendem o homem ou mulher absolutos estão localizadas. Isso é congruente com a descrição de Evola de algumas mulheres modernas, que são capazes de desenvolver habilidades "masculinas" como a lógica ou o intelectualismo. Ele diz que elas fizeram-o "através de uma camada situada sobre sua natureza mais profunda". Porém, elas não foram bem sucedidas em alterar sua natureza fundamental, apenas sua personalidade superficial. 


Um Ponto de Partida Metafísico para Macho e Fêmea 
 
Segundo doutrinas Tradicionais, os sexos eram forças metafísicas antes de terem manifestado-se no mundo. O homem e a mulher absolutos existiam desde o início do tempo, quando o Uno Universal dividiu-se em uma Díade, que então causa o resto da criação. Na maioria das formas de Hinduísmo, Shiva, o princípio masculino, é identificado com o puro Ser. Shakti, o princípio feminino, é identificado com o Devir e a Mudança. De modo similar, Aristóteles associava o princípio masculino com a Forma e o feminino com a Matéria. Segundo Evola, Forma significa "o poder que determina e desperta o princípio da moção, do desenvolvimento, do devir" enquanto Matéria significa "a substância ou poder que, sendo desprovida de Forma em si mesma, pode assumir qualquer Forma, e que em si mesma não é nada mas pode tornar-se tudo quando é despertada e fecundada". Na tradição do Extremo Oriente, o Yang (o princípio masculino) é associado com o céu, enquanto o Yin (o princípio feminino) é associado com a terra. Assim, Forma e Matéria combinaram-se para criar o universo manifesto. E do coito entre Shiva e Shakti "emerge o mundo". (Isso está em contraste com Oswald Spengler, que acreditava que o Devir era o elemento essencial, ao invés do Ser). 

O princípio masculino é associado com verdade, luz, o Sol, virilidade, atividade, e estabilidade. Às vezes é associado com o Uno Universal que existia antes da Díade. A qualidade feminina é associada com a malícia, mutabilidade, a Lua, a terra, escrudião, umidade, passividade e dependência em outro. Nas palavras de Evola: 

"O que os gregos chamavam 'heteridade', isto é, estar conectado a outro ou estar centrado em alguém além de si mesmo, é uma característica própria da fêmea cósmica, enquanto ter o próprio princípio em si mesmo é próprio do macho puro. (...) a vida feminina é quase sempre desprovida de um valor individual mas está ligada a alguém mais em sua necessidade, nascida da vaidade, de ser reconhecida, notada, bajulada, admirada, e desejada (essa tendência extrovertida está conectada com aquele 'olhar para fora' que em um nível metafísico tem sido atribuído a Shakti)."




Essas forças então manifestam-se em homens e mulheres reais. Mas Evola é claro em sustentar que o homem e a mulher absolutos não são simplesmente aspectos de caráter. Ao invés, eles são "elementos objetivos atuando em indivíduos quase tão impessoalmente quanto as propriedades químicas inerentes em uma substância particular". Como Evola diz:

"(...) antes e além de existir no corpo, o sexo existe na alma e, em certa medida, no próprio Espírito. Nós somos homens ou mulheres interiormente antes de sermos assim externamente; a qualidade do macho ou fêmea primordial penetra e satura o todo de nosso ser visivelmente e invisivelmente...tanto quanto uma cor permeia um líquido".

Enquanto tal, a mulher absoluta não é simplesmente um conceito idealizado de mulher. Ela é definida do divino ao humano, e não é uma concepção humana de algo divino.


Descrição Evoliana da Mulher Absoluta

A mulher absoluta é a régua pela qual todas as mulheres devem ser medidas. Evola escreve, "a única coisa que nós podemos fazer é estabelecer a superioridade ou inferioridade de uma dada mulher com base nela ser mais ou menos próximo ao tipo feminino, à mulher pura e absoluta, e o mesmo aplica-se ao homem também". Ademais, a superioridade é definida por quão perto alguém realiza a mulher ou homem absolutos. "Uma mulher que é perfeitamente mulher é superior a um homem que é imperfeitamente homem, tanto quanto um camponês que é fiel a sua terra e faz seu trabalho perfeitamente é superior ao rei que não é capaz de fazer seu próprio trabalho", diz Evola.

Muitas outras características são associadas com o princípio feminino do que aquelas descritas abaixo; porém, esses são os primários ressaltados por Evola em seus escritos sobre o assunto.


As Águas e a Mutabilidade
  
A característica feminina fundamental é a mutabilidade. Assim, a fêmea é associada com a água, que é fluida, e adapta-se a qualquer forma na qual ela seja colocada, assim como a matéria/Shakti é moldada pela forma/Shiva. Evola escreve que a mulher "reflete o feminino cósmico segundo seu aspecto como material recebendo uma forma que é externa a ela e que ela não produz a partir de dentro". Isso encaixa-se com a descrição de Carl Jung do animus da mulher, que não é auto-criado, mas ao invés é uma coleção subconsciente dos pensamentos dos homens.

Essa mutabilidade está relacionada com a tendência da mulher em viver por alguém fora dela, devido à fluidez e mutabilidade de sua natureza. Para Evola, isso significa seguir o caminho da mãe ou da amante, fixando-se a uma força viril de modo a obter a transcendência. Em contraste, "a mulher moderna ao querer ser por ela mesma destruiu-se". Crendo que ela é meramente sua personalidade, ela perde seu aspecto transcendente.

Essa mutabilidade é vista na associação do feminino com a água. Segundo Evola, a água representa "a vida indiferenciada anterior e ainda não fixada em uma forma", aquilo "que corre ou flui e é portanto instável e mutável", e "o princípio de toda fertilidade e crescimento segundo a analogia da ação fertilizadora da água na terra e no solo".



Evola também descreve a relação correta entre o princípio da água e o do fogo, associado com o masculino: "quando o princípio feminino, cuja força é centrífuga, não volta-se para objetos fugidios mas sim para uma estabilidade 'viril' na qual ela encontra um limite para sua 'inquietude'.

Evola concorda que certas mulheres modernas podem parecer muito imutáveis, mas insiste que isso é apenas em um nível superficial do seu ser:

"(...)uma possível rigidez pode seguir-se à recepção de idéias devido precisamente ao modo passivo pelo qual ela adotou-as, o que pode aparecer sob o disfarce de conformidade e conservadorismo. Desse modo, nós podemos explicar o contraste aparente inerente no fato de que a natureza feminina é mutável, e ainda assim as mulheres demonstram majoritariamente tendências conservadores sociologicamente e um desdém pelo novo. Isso pode ser ligado a seu papel na mitologia como figuras femininas como Deméter ou de tipo ctônico que guardam e vingam os costumes e a lei - a lei do sangue e da terra, mas não a lei urânica."

Assim, uma mulher pode ser razoavelmente imutável em suas crenças sobre a sociedade, etiqueta, e moralidade, mas carecerá de uma ligação a uma verdade transcendente. Muitas das idéias femininas concernentes a verdades sociais como honra e virtude "não são ética verdadeira, mas meros hábitos", diz Evola.

Essa mutabilidade das mulheres explica a noção de que as mulheres são ao mesmo tempo mais piedosas e mais cruéis que os homens; como a mulher é associada com a terra, ela expressa tanto a ternura da mão como a crueldade da natureza. O melhor exemplo dessa dualidade é a Deusa grega Ártemis, que era ao mesmo tempo protetora dos animais selvagens e caçadora.

Talvez a característica mais controversa da mulher absoluta de Evola, que ele pega de Weininger, é uma concepção comum através da história: de que a mulher não possui alma, ou ser. Weininger afirma que a mulher não possui ego, referindo-se ao Ego Transcendental de Immanuel Kant, que Evola descreve como "acima de todo o mundo fenomênico (em termos metafísicos dir-se-ia 'acima de toda manifestação', como o atman hindu)". Em algumas escolas de Hinduísmo, o atman (ou "eu superior") é idêntico com o Brahman, a alma infinita do Universo. Em outra concepção hindu, o atman é o princípio vital. Como a existência manifesta seria impossível sem o atman, essa descrição da mulher como carente de Ego Transcendental não deve ser tomado para querer dizer que as mulheres são incapazes de desenvolver ou solidificar esse aspecto, ainda que elas estejam em desvantagem em relação aos homens. Também, na Kali Yuga, todas as pessoas estão o mais possivelmente removidas do divino, então os homens e mulheres modernos estão provavelmente na mesma posição de partida em termos de desenvolvimento do Ser.

Evola expande a noção, afirmando que se alma significa "psique" ou "princípio vital", então "isso significa na verdade que a mulher não apenas tem uma alma mas é eminentemente 'alma'", enquanto o homem não é uma alma mas um "espírito". Ele continua: "o ponto que acreditamos ter fixado é o de que a mulher é uma parta da 'natureza' (em um sentido metafísico ela é uma manifestação do mesmo princípio que a natureza) e que ela afirma a natureza, enquanto o homem por virtude de nascimento na forma humana masculina vai tendencialmente para além da natureza".


Malícia e uma Conexão com a Verdade
 
Outro atributo da mulher absoluta é a falsidade. Em verdade, Evola afirma que ele é tão essencial que mentir tem sido reconhecido como uma característica essencial na natureza feminina "em todos os tempos e em todos os lugares pela sabedoria popular". Segundo Weininger, essa tendência é devida a sua carência do ser. Sem essência fixa, a maioria das mulheres (e dos homens modernos) não está ligada a nenhuma verdade transcendente, e portanto não há nada contra o que mentir - a Verdade existe apenas quando possui-se substância e valores. Nas palavras de Evola:

"(...)Weininger observou que nada era mais desconcertante para um homem do que a reação de uma mulher quando pega mentindo. Quando questionada sobre o porquê da mentira, ela é incapaz de compreender a pergunta, age assustada, começa a chorar, ou tenta pacificá-lo sorrindo. Ela não consegue compreender o lado ético e transcendente de mentir ou o fato de que a mentira representa um dano ao Ser e, como era reconhecido no antigo Irã, constitui um crime até mesmo pior que o homicídio...A verdade, pura e simples, é que a mulher é predisposta a mentir e a disfarçar seu verdadeiro eu até mesmo quando ela não precisa fazê-lo; esse não é um traço social adquirido na luta pela existência, mas algo ligado a sua natureza mais profunda e genuína".

Essa qualidade de falsidade, ainda que brote da estrutura fundamental das mulheres, não deve implicar que deve ser aceita como um traço dado de todas as mulheres, como alguns dos escritos de Weininger implicam. Pois, tanto quanto o homem, o objetivo último da existência de mulher é conectar-se com e viver pelo transcendente, o que requer uma fixação que não pode admitir a falsidade.


Intuição Feminina, Ética e Lógica Masculinas
 
Outra idéia que Evola pega de Weininger é a noção de que a mulher absoluta, já que ela carece de ser, também carece de memória, lógica e ética. De modo a explicar isso, Evola distingue entre dois tipos de lógica: lógica quotidiana, que as mulheres podem usar muito bem sucedidamente (ainda que às vezes como um "sofista") e "lógica como um amor à pura verdade e à coerência interior". Essa distinção pode mais comumente ser vista quando as mulheres usam a lógica em discussões como um meio para fins pessoais, ao invés de chegar a uma verdade para além de seus desejos. Evola escreve que:

"(...) a mulher, na medida em que é mulher, jamais conhecerá a ética no sentido categórico de uma lei interior pura distanciada de qualquer conexão empírica, eudemonística, sensitiva, sentimental e pessoal. Nada na mulher que possa ter um caráter ético pode ser separado do instinto, do sentimento, da sexualidade, da 'vida'; ela não pode ter relação com o puro 'ser'."

A ferramenta primária de cognição da mulher não é a lógica, mas intuição e sensitividade.


Ao explicar a memória, Evola volta-se para Henri Bergson, que descreveu dois tipos de memória. Uma é mais comum nas mulheres: a memória conectada ao subconsciente, que pode lembrar sonhos, ter premonições, e inesperadamente lembrar de experiências esquecidas. O segundo tipo de memória, que as mulheres carecem devido a sua natureza fluida, é 'determinada, organizada, e dominada pelo intelecto'."



O Princípio Feminino como Poderoso, Soberano, e Ativo
  
Geralmente o princípio feminino é descrito como passivo, e o masculino como ativo. Segundo Evola, isso é verdade apenas no plano mais externo. No plano sutil, ele diz, "é a mulher que é ativa e o homem que é passivo (a mulher é 'ativamente passiva' e o homem 'passivamente ativo')". Em termos hindus o espírito impassível (purusa) é masculino, enquanto a matriz ativa de cada forma condicionada (prakriti) é feminina. Assim, para usar a criação de uma criança como um exemplo, o homem dá sua semente, mas é a mulher que ativamente cria e dá origem à criança.

A mitologia suporta o aspecto soberano da mulher. Evola dá os exemplos da deusa terrestre Cibele levada em uma carruagem puxada por dois tigres domados, e a deusa hindu Durga sentada sobre um leão com rédeas em suas mãos. Evola afirma que o homem sabe dessa qualidade soberana da mulher, e "às vezes graças a uma sobrecompensação neurótica inconsciente por seu complexo de inferioridade, ele esbnja diante da mulher uma masculinidade ostentosa, indiferença, ou mesmo brutalidade e desdém. Mas isso garante-lhe a vantagem, ao contrário. O fato de que a mulher às vezes torna-se uma vítima em um nível externo, material sentimental ou social, dando azo a seu instintivo 'medo de amar', não altera a estrutura fundamental da situação".


Associação com o Demônico e Aspiração 
  
Outra qualidade "negativa" da mulher absoluta é aquela da aspiração, no sentido de uma qualidade vampírica, que também é associada com o demônico. Em um nível profano, em uma forma degenerada, isso poderia ser a mulher que está constantemente demandando mais de seu marido e de outros - mais tempo juntos, um carro melhor, uma casa maior, ou mais atenção. Como ela não tem "alma" (como definida acima), ela deve preencher o vácuo dentro dela sugando a força vital de outros em um vampirismo emocional, monetário ou temporal.

Em um nível metafísico, essa qualidade meramente refere-se ao divino feminino, Shakti, puxando Shiva para o mundo da manifestação. Assim, isso não é bom ou ruim, a não ser para Gnósticos ou outras seitas que creem que o mundo criado é maligno. Como Evola afirma, a mulher "está orientada para a manutenção daquela ordem que o Gnosticismo, em um pano-de-fundo dualista, chamou o 'mundo do Demiurgo', o mundo da natureza em oposição àquele do espírito". Esse elemento demônico é expresso na vida atual quando as mulheres puxam os homens para o reino da terra, da natureza e das crianças. Isso é expresso no sexo quando a semente do homem é sugada para dentro da mulher, criando uma criança ligada à natureza. "Ainda que a 'mulher' possa dar a vida," Evola escreve," ela fecha ou tende a fechar o acesso para aquilo que está além da vida".

Em algumas doutrinas orientais, a semente do homem é pensada como sendo a virilidade espiritual - daí a formação de seitas que ensinam os homens a reter essa força para alcançar a liberação ao invés de gastá-la através da ejaculação. Mulheres apropriadamente treinadas são ditas capazes de capturar essa essência durante o sexo, então seduzindo o homem em desistir de sua virilidade.

O aspecto positivo desse traço está na habilidade feminina de superá-lo, mais comumente seguindo o caminho da mãe ou da amante. Nas ações requeridas por esses caminhos (se seguindo-os em uma atitude de auto-sacrifício e não de auto-engrandecimento), ela não mais drena os outros, mas ao invés aprende a construir uma força vital dentro de si através da renúncia dos desejos. Pelo abandono do controle do ego/personalidade por ao invés estar devotada a outros, a mulher é capaz de fixar a si mesma no transcendente.

Como as outras qualidades da mulher absoluta, aquela da aspiração também pode ser encontrada no homem, especialmente na Kali Yuga. Evola refere-se às práticas sexuais encontradas no Taoísmo chinês, na Índia, e Tibet, onde o homem suga a energia vital feminina de uma mulher durante o sexo, uma técnica que ele descreve como beirando o "vampirismo 'psíquico' masculino".


O Valor da Mulher Absoluta no Mundo Moderno 

Na Idade de Ouro, nós podemos imaginar que os elementos metafísicos compreendendo uma pessoa manifestaram-se do modo apropriado. Em tal época, as classes mais altas deram origem ao povo mais elevado; a raça era indicativa de uma qualidade interior correspondente; a beleza exterior atestava uma beleza interior; e o gênero físico alinhava-se com as qualidades do homem ou mulher absolutos.

Mas na Kali Yuga, há párias nas classes mais altas, homems que agem como mulheres, e homens de linhagem ariana que não incorporam quaisquer das virtudes atribuídas a sua raça. Como Evola diz, é possível para uma pessoa ser de um sexo diferente fisicamente do que eles são na alma. Esses casos são similares àqueles nos quais indivíduos de uma raça "possuem características psíquicas e espirituais de outra raça".

Portanto, os homens hoje podem não possuir inatamente qualquer semente viril, tanto quanto as mulheres modernas não expressam necessariamente o princípio feminino absoluto. Lendo as obras de Evola, então, nós não devemos interpretar erroneamente o que ele diz sobre o homem e mulher absolutos como correspondendo com homens e mulheres individuais de hoje. Homens e mulheres modernos são quase completamente removidos dos aspectos mais profundos de si mesmos, funcionando apenas como personalidades. Assim, o sexo ou casta de uma pessoa tem pouca importância em determinar vocações ou relações sociais. Que relevância, então, as descrições de Evola do homem e mulher absolutos tem no mundo moderno?

Uma resposta é encontrada na Angst existencial que definiu o século XX. Martin Heidegger escreveu da vida inautêntica, e Jean-Paul Sartre da má-fé; a maioria das pessoas hoje ainda enquadram-se na descrição de mera personalidades, carecendo conexões divinas ou dos meios para encontrá-las. Em um mundo que perdeu seus valores e sua conexão com a Tradição, descobrir esses princípios em nossas naturezas interiores torna-se ainda mais importante. Examinando a obra de Evola, e a de outros Tradicionalistas, nós podemos encontrar nosso caminho de volta para nossos verdadeiros eus, a verdadeira relação entre os sexos, e uma conexão com o transcendente.


Traduzido pelos camaradas do blog Legio Victrix